Notes on camera obscura: three contemporary artistic perspectives [EN]

Filippo De Tomasi

 

Em 1971, Rockne Krebs criou uma peça imersiva, na qual, entre os elementos que a compõem, se destaca o antigo mecanismo ótico da camera obscura. Ainda que este artista possa ser considerado um dos primeiros a interessar-se por este mecanismo, foi apenas a partir dos anos noventa que se difundiu na prática artística a utilização da camera obscura como instalação. Com efeito, nas últimas décadas numerosos autores têm incluído este mecanismo na sua própria produção, desenvolvendo projetos que se diferenciam quer em relação ao pensamento sobre a imagem de natureza foto-fílmica quer pela participação do espetador. É, contudo, possível encontrar três linhas principais de pesquisa artística: as operações que utilizam a camera obscura como instrumento ótico, por exemplo, as de Abelardo Morell; as peças de instalação imersiva, como no caso das de Zoe Leonard; e a produção de imagens num jogo dialético entre real e ficção, nas obras da dupla portuguesa João Maria Gusmão e Pedro Paiva. De acordo com esta divisão, a seguinte comunicação apresenta-se como um estudo comparativo que pretende analisar as características destas operações contemporâneas nestas três vertentes, na tentativa, também, de remeter alguns dos seus elementos para a própria história e utilização da camera obscura, através da perspetiva crítica da Arqueologia dos media.

 

Filippo De Tomasi, nascido em 1987 em Vicenza (Itália), trabalha em Lisboa, Portugal. É doutorando em Estudos Artísticos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade NOVA de Lisboa – FCSH/UNL. Em 2014, concluiu o mestrado em Artes Visuais na Alma Mater Studiorum – Universidade de Bologna, com especialização em história de arte contemporânea e teoria e prática de fotografia. Colaborou em projetos artísticos na Galeria Luís Serpa Projectos e tem publicado alguns artigos em revistas dedicadas à arte contemporânea, entre as quais “Artribune” e “Senza Cornice”. Nos últimos anos, tem lecionado como assistente em cadeiras universitárias, participado e apresentado comunicações em conferências nacionais e internacionais. É membro cofundador do grupo Observatório de Estudos Visuais e Arqueologia dos Media, do Instituto de Comunicação da FCSH/UNL. Tem ainda colaborado em projetos artísticos com o grupo de curadoria Da Luz Collective.

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