A estética do cravo: da maquinação do sensível à era digital [PT]

João Pereira de Matos

 

A comunicação que aqui se apresenta tenciona demonstrar que a máquina-cravo, tanto na sua história
técnica como na história daqueles que a foram pensando, é um testemunho privilegiado do processo
moderno de maquinação do sensível (permitindo uma arqueologia de um certo estar-eletrónico do produzir e
ouvir – som). Para isto a investigação que proponho defender tentará trazer à frente cinco questões: (1) uma
breve arqueologia da “máquina-cravo”, numa exploração: a) das inovações técnicas que a “fizeram-vir” (como
o teclado adaptado às cordas e o sistema de tablature notation); b) das suas características específicas no que
diz respeito ao produzir e receber sonoro (como o seu limite de elasticidade fixo de corda e o seu efeito
penetrativo) e c) das correlações entre o seu reportório e um contexto social específico (como é exemplo o
compor-para-cravo e a sua correlação com as Aryas Italianas Representativas do século XVIII em Scarlatti; (2)
uma abertura a uma estética do cravo: analisando a potência da sua metáfora em Condillac como uma
hipótese de recomposição do sensível através de um movimento subjetivo; (3) a formação de um pensamento
sobre a aparição da indústria moderna do sensível (Paul Valéry); (4) a crise do uso e da estética da máquina-
cravo e o reaparecimento da necessidade em explorar as suas possibilidades na época do eletrónico; (5) a
questão da “obra aberta” (Humberto Eco) nas performances da máquina-cravo contemporânea e a relação
com a sua “ontologia”/estética mecânica coadunada com uma era de som em ambiente eletrónico (referindo-
se, através de compositores contemporâneos – Simon Emmerson, Kaija Saariaho, entre outros – a força do
cravo eletroacústico). A máquina-cravo, no contemporâneo, pode assim ser tida como um work in movement
que explora os limites entre o sensível e o maquínico através de um contínuo trabalho de recomposição dos
estímulos dos mundos materiais e virtuais.

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